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domingo, fevereiro 05, 2012

Novo Repartimento debate formas de desenvolvimento sustentável

                Novo Repartimento, no sudeste do Pará, pode se tornar o mais novo município verde do Estado. Seguindo os passos de Paragominas, que virou exemplo nacional em matéria de meio ambiente, os produtores rurais do município começam a se organizar para a mudança, que só virá com tecnologia e decisão política. O tema foi debatido neste sábado (4), na fazenda Aratau, no “Dia na Varanda”, que teve a participação dos secretários Sidney Rosa (Desenvolvimento Econômico e Incentivo à Produção) e Hildegardo Nunes (Agricultura).
                Também participaram do encontro, promovido pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Paragominas, o PhD pela Universidade da Virgínia (EUA) Moacir Costa, o secretário extraordinário do programa Municípios Verdes, Justiniano Neto, e o procurador da República Daniel Lavareda. Os participantes assistiram à aula de um dos maiores especialistas do país em pecuária sobre manejo de pasto e criação intensiva.
                Os produtores também discutiram a regularização fundiária e ambiental necessária para que o município dê um salto de qualidade de sua pecuária. Com 700 mil cabeças de gado, Novo Repartimento tem o terceiro rebanho do Estado e um dos maiores frigoríficos do país. Existe uma disposição geral para se enquadrarem nas novas regras ambientais. “Nosso produto só tem crédito porque é mais barato. Precisamos de segurança para investir. Queremos que o governo esteja do nosso lado, queremos fazer bem feito e buscar novos mercados”, afirmou o presidente do sindicato, Carlos Costa.
                A multinacional Nike não compra couro da Amazônia por causa dos problemas ambientais, informou o procurador Daniel Lavareda. Por outro lado, segundo ele, os produtores “não aguentam mais a intimidação” do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). “É preciso tolerância zero com o desmatamento”, afirmou o procurador, que se colocou à disposição dos produtores para ajudar na regularização da atividade no município.
                Justiniano Neto fez uma panorâmica do programa Municípios Verdes, que tem como meta reduzir em 80% o desmatamento no Estado até 2020. Somente ano passado, o desmatamento caiu 23% no Pará. Ele também falou sobre o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Licenciamento Ambiental, cujos trâmite estão mais facilitados e são gratuitos. Segundo Justiniano, hoje 49% das propriedade paraenses já têm o CAR e o licenciamento. Os produtores rurais também podem formar reservas legais em condomínio para resolver coletivamente os problemas de reservas ambientais.
Gestão - Sidney Rosa, que comandou o processo de mudanças em Paragominas, alertou para a necessidade de modernização da pecuária paraense, que fica com 27 milhões dos 32 milhões de hectares abertos para produção no Estado, que precisa de mais empregos. “Podemos duplicar nosso rebanho de 20 milhões de cabeças sem aumentar essa área”, calculou, informando que o governo está fazendo um diagnóstico da economia por região com objetivo de diversificar a produção e aproveitar melhor o potencial florestal do Estado. Para ele,  80% da área aberta do Pará precisam ser repensados.
                O secretário Hildegardo Nunes avaliou positivamente o encontro, “especialmente pela mobilização e a possibilidade de despertar uma nova postura no setor produtivo”. O titular da Sagri visitou o prédio da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) e adiantou que, entre outras medidas mais imediatas para ajudar na regularização do setor, o governo pretende acelerar a implantação do programa Navegapará no município para a emissão da Guia de Transporte Animal (GTA) eletrônica e construir um novo prédio para a Adepará.
                A prefeita de Novo Repartimento, Valmira Alves da Silva, disse que todos têm de assumir a responsabilidade e se comprometer com as mudanças. Há dez meses no governo de um município que tem 35 assentamentos rurais, ela diz que assumiu o compromisso com a questão ambiental e uma de suas primeiras medidas foi criar a Secretaria de Meio Ambiente. O produtor João Miranda se convenceu de que é preciso respeitar o meio ambiente e que é possível melhorar a produção “sem gastar dinheiro” e conseguir melhores preços com um produto certificado.

Texto:
Raimundo Sena-Sagri
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