Delegada Thalita Rosal Feitosa, 24 anos (c), com as escrivã Michele Guedes da Silva, 38 anos, e a investigadora Alessandra Ribeiro, 33 anos, da Delegacia da Mulher do município de Altamira-PA.
FOTOS: ANTONIO SILVA/AG. PARÁ
A Delegacia da Mulher de Altamira, no sudoeste do Pará, tem registrado um número crescente de denúncias. Com média de quatro atendimentos por dia, a divisão especializada é referência para nove municípios da região da Transamazônica. O trabalho de prevenção e conscientização feito junto a entidades como centros comunitários e de assistência social tem garantido um número maior de atendimentos e instauração de procedimentos.
Entre segunda e quarta-feira passadas (dias 27 e 29 de junho), quando a unidade foi transferida para outro local em função de uma pane elétrica no prédio, pelo menos nove boletins de ocorrência foram registrados. Na maioria dos casos, os registros referem-se à violência doméstica e familiar contra a mulher e também crianças, mas a delegacia atende também vítimas de crimes como estupro, ameaça, injúria, calúnia e difamação, dentre outros.
Nesta semana, os serviços tiveram de ser transferidos para a Superintendência da Polícia Civil no Xingu, depois que o sistema de fiação elétrica avariou. O problema foi ocasionado por um caminhão que passou e levou um dos fios da rede externa. “Ligamos a chave de energia na última segunda-feira e vimos faíscas em determinados pontos, além de aparelhos que desligaram repentinamente”, conta a titular da Delegacia da Mulher de Altamira, Thalita Rosal Feitoza, 24 anos.
Prevenção
Constatado o problema, a delegada chamou imediatamente o Corpo de Bombeiros e a Rede Celpa, para evitar maiores danos e riscos a servidores e usuárias. “Fui orientada a sair do prédio e levar nossa equipe para a superintendência da Polícia Civil”, conta, afirmando que a medida de realocar o atendimento garantiu que o serviço não parasse.
A decisão foi acertada. Entre segunda e quarta-feira, além dos boletins de ocorrência, a Delegacia da Mulher coletou depoimentos, fez autuações e orientação e instaurou procedimentos. “Apesar da mudança, os serviços não podiam parar. Tivemos todo o apoio da superintendência, que já atende os casos da unidade especializada nos fins de semana”, conta a delegada, revelando que sua equipe da divisão é formada exclusivamente por mulheres, entre elas a escrivã Michele Guedes da Silva, 38, e a investigadora Alessandra Ribeiro, 33. O trabalho tem apoio ainda de duas viaturas e de um policial militar.
Integração
A Delegacia da Mulher de Altamira funciona em um prédio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento e Assistência Social (Sedes), onde também são mantidos os serviços de plantão social e abrigo. O trabalho é feito em parceria com os centros de Referência de Assistência Social (Cras) e de Atenção Psicossocial (Caps), mantidos pelo governo federal. A união dos esforços tem garantido uma procura maior pelos serviços. “A mulher está perdendo o medo de denunciar que foi vítima de violência”, constata a delegada.
O atendimento está disponível de segunda a sexta-feira, nos horários de 8 horas ao meio-dia e de 14 às 18 horas. Nos fins de semana, a delegacia comum atende os casos de violência contra a mulher. Um dos cuidados é que as equipes que estejam de plantão tenham sempre policiais do sexo feminino, para acolher as ocorrências que exigem uma atenção diferenciada. “Muitas mulheres só se sentem à vontade na presença de servidoras. Isso facilita o trabalho, especialmente na coleta de depoimentos”, justifica Thalita Feitoza.
Existem no Pará 22 Divisões Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), distribuídas nos municípios de Santarém, Abaetetuba, Castanhal, Paragominas, Marabá, Itaituba, Breves, Parauapebas, Tucuruí, Conceição do Araguaia, Altamira e Redenção, dentre outros. Somente ano passado, a delegacia da mulher de Belém registrou 6,8 mil ocorrências, média de 570 por mês. Este ano, mais de mil casos já foram notificados na capital. A Delegacia da Mulher de Altamira funciona no bairro Uirapuru, rua Curitiba, s/n.
Luiz Carlos Santos - Secom
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