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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Feiras livres de Belém ganham projeto de adequação

Por Thiago Melo e Izabelle Araújo / Fotos: João Gomes
Toda manhã é a mesma rotina na barraca de açaí que Walquíria Melo mantém na Feira da 25. Junto com a sua equipe, Walquíria faz a seleção manual dos caroços do fruto, lava-os e depois os deixa de molho numa solução de água e hipoclorito. Em seguida, o açaí passa por um choque térmico em água quente antes de ser batido com água mineral, embalado e vendido. Todo o procedimento é realizado com vários cuidados de higiene, entre eles o uso de luvas, toucas, aventais e roupas brancas.
As medidas adotadas pela feirante Walquíria, que há 20 anos vende açaí no mesmo local, são consideradas ideais para a qualidade do produto fornecido ao consumidor e estão sendo aplicadas a todos os feirantes da capital pelo Departamento de Vigilância Sanitária de Belém (Devisa), por meio do projeto “Amigos da Feira”. 
O objetivo do projeto é corrigir as irregularidades sanitárias encontradas na maioria das feiras livres da cidade, colocando em prática hábitos de higienização e cuidados na manipulação dos alimentos comercializados.
Com o projeto, os feirantes são orientados sobre a manipulação dos alimentos, desde a sua chegada até a sua comercialização, além do cuidado que devem ter com o material descartado. Considerada uma das melhores feiras da capital em termos de padronização e organização, a Feira da 25 de Setembro recebeu o projeto-piloto. do Amigos da Feira. Na semana passada os trabalhadores foram orientados pelo Devisa, em parceria com as secretarias municipais de Saneamento (Sesan) e Economia (Secon), com palestras e treinamentos sobre a manipulação e higienização dos alimentos e dos boxes individuais.
De acordo com Terezinha Rossef, chefe de Alimentos do Devisa, a expectativa é que a partir deste treinamento os feirantes sigam as normas sanitárias estabelecidas pelo departamento, que segue as recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a fim de amenizar os problemas de falta de higiene nas feiras.
A vendedora de frutas Leomar Rodrigues, que há 25 anos trabalha na feira, diz que já aprendeu as medidas de higiene com o Devisa, e afirma que está fazendo o dever de casa. “Eu limpo o meu boxe todo dia antes e depois das vendas. Passo pano, limpo com água e álcool. Sempre fiz o meu trabalho com higiene”, garante a feirante.
Na rotina de Leomar está o trabalho de ralar coco fresco. Sem sujar o boxe da feira, ela separa as cascas da fruta em um cesto com saco plástico. Durante  o curso que participou durante o “Amigos da Feira”, a vendedora aprendeu que utilizar touca e avental também é necessário.O uso de vestuário apropriado para o manuseio de alimentos é um dos principais assuntos abordados pelo curso de capacitação.
Na avaliação de Terezinha, o ideal é utilizar roupas claras e sempre limpas. “A partir de agora todos os feirantes  devem estar sempre com roupas limpas e claras, se eles quiserem podem até padronizar, mas não é obrigatório” esclarece.Ela alerta  também quanto ao uso do jornal, que muitas vezes serve de embalagem para os alimentos. “O jornal libera uma substância tóxica que é prejudicial à saúde. Além disso, é um material reutilizado, o que não pode acontecer quando se trata de higiene sanitária. Toda e qualquer embalagem deve ser descartável”, explica.
“O feirante tem que ser consciente, porque se ele não limpar e não se adequar às medidas sanitárias o cliente não vem”, considera Leomar. Para a feirante, cabe a cada um, inclusive ao cliente, fiscalizar se a higiene e a organização estão sendo aplicadas na Feira. “Eu fico de olho nos meus colegas. Se eu vejo que tem alguma coisa que não está certa, eu mesma falo para eles. Não quero que a gente volte ao estado em que trabalhávamos anos atrás aqui na 25”, ressalta a vendedora.
Os clientes já estão percebendo as mudanças. O técnico em Construção Civil João Samuel da Silva, de 43, que desde pequeno frequenta o local, aprova o que está vendo. “Os feirantes estão mais preocupados com a arrumação e a higiene. Antes o que a gente via era o desleixo, hoje eles estão mais conscientes e perceberam que o nível da feira melhorou”, afirma.
A dona de casa Marlene Machado, que há 5 meses faz compras na feira, também notou as mudanças na rotina dos feirantes. “A feira está mais limpa, sem mau cheiro. Era uma falta de respeito com a população o jeito com que era feita a venda dos alimentos. Espero que essa mudança seja permanente”, deseja Marlene, que diz procurar sempre os boxes mais higiênicos na hora de fazer suas compras semanais.
Segundo a chefe do departamento de alimentos do Devisa, a partir da próxima semana serão realizadas visitas técnicas para verificar se as medidas sanitárias estão sendo aplicadas pelos feirantes da 25 de Setembro.
As outras feiras da capital também serão beneficiadas pelo projeto. O próximo local ainda está sendo definido pelo Devisa.

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