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quinta-feira, março 31, 2011

Centro Integrado de Cidadania conduz deficientes físicos ao mercado de trabalho

"Achava que não ia precisar de apoio para conseguir emprego depois que virei portador de deficiência física, mas, fui surpreendido. Descobri que no mercado de trabalho atual você só é um bom profissional se for perfeito, porque se faltar um pedaço, você não serve". O depoimento é do auxiliar administrativo Jandernei Lima, 41 anos, que aos 21 sofreu um grave acidente de carro que provocou o esfacelamento dos ossos e encurtamento de sete centímetros do seu braço esquerdo. "Eu não nasci assim, me tornei deficiente e vi o quanto as coisas são difíceis", ressalta Jandernei.
O homem forte, saudável, que até então era um bem-sucedido pequeno empresário, teve que enfrentar o preconceito e as dificuldades do concorrido mercado de trabalho. A reviravolta na vida de Jandernei aconteceu por intermédio do Centro Integrado de Inclusão e Cidadania (CIIC). De lá, ele foi encaminhado para seu primeiro emprego após ter passado pelo acidente. "Fiz uma carta de apresentação falando das minhas habilidades e também expliquei as minhas limitações. Em menos de 15 dias fui chamado para trabalhar", conta.
Assim como ele, qualquer portador de deficiência física que pretenda conquistar uma vaga no mercado de trabalho pode procurar pelo CIIC. Do espaço, os PNI's são encaminhados para empresas parceiras, cooptadas pela Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego e Renda (Seter). Somente este ano, 98 pessoas já foram encaminhadas pelo CIIC para o mercado de trabalho. "Não só encaminhamos essas pessoas como também acompanhamos o desenvolvimento delas depois que conseguem o emprego. Queremos saber se elas estão sendo bem tratadas ou se estão sofrendo algum tipo de preconceito. Quando isso é detectado, vamos até a empresa para saber o motivo", explica o diretor do CIIC, Agostinho Monteiro.
Oportunidade: Aline de Lourdes Miranda da Cruz, 26 anos, foi uma das pessoas que procurou o Centro para pedir apoio. A jovem, que é portadora de paralisia cerebral, conseguiu seu primeiro emprego através do CIIC. Mas, como tem dificuldades para se locomover e para controlar seus movimentos, vem enfrentando problemas no serviço. Aline trabalha como operadora de caixa. "Eu não consigo ser muito rápida e isso acaba irritando alguns clientes, que por vezes não têm paciência. As pessoas que vão pagar contas só querem saber dos seus problemas, não querem saber se é um deficiente ou uma pessoa saudável que está atrás do balcão", conta a jovem.
Aline foi ao CIIC relatar o seu problema e disse que estava disposta a entregar o lugar. "Estava com vontade de desistir, mas fui o centro, conversei com os psicólogos e eles disseram que os desafios sempre vão aparecer e que eu não posso desistir assim. Tudo para o deficiente físico é mais difícil e nós temos que saber dar a volta por cima e correr atrás. Porque a solução não vai cair do céu". A direção do centro conversou com os responsáveis pela empresa onde Aline trabalha e solicitou que a moça fosse encaminhada para exercer outra função, que a exigisse menos. "Nosso objetivo é fazer de tudo para que eles não desistam nunca, porque sabemos que os desafios são grandes. A primeira dificuldade começa em conseguir um emprego, depois vem a do deslocamento até o local do trabalho, o preconceito e outras mais".
Dados da Seter mostram que 319 vagas foram abertas só no ano passado para portadores de deficiência e que 537 pessoas foram encaminhadas para as empresas, resultando na inserção de 285 pessoas com deficiência física colocadas no mercado de trabalho, ou seja, um aproveitamento de 89,34% das vagas.
Bruna Campos – Secom

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