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quinta-feira, março 10, 2011

NICIAS RIBEIRO - Do Rancho que se ‘amofinou’, a TV Globo que cobriu o carnaval pelo Brasil afora e menos Belém e a energia

 - Engenheiro eletrônico- nicias@uol.com.br
Numa quarta-feira de cinzas, como hoje, não deveríamos tratar de assuntos recorrentes como Belo Monte. Deveríamos, sim, tratar do carnaval que passou da tristeza da nação jurunense ver o seu Rancho se “amofiná” e não participar do desfile na “Aldeia Cabana”; de vermos a Rede Globo mostrar o carnaval do Rio, S.Paulo, Salvador, Recife e até de Manaus, sem nenhuma referência a Belém, cujo carnaval já foi o segundo melhor carnaval do Brasil. Mas eis que o carnaval de Belém, mesmo pobre e sem motivação, nos arrastou ao passado, quando o Império de Samba “Quem são eles”, com o tema “Tucuruí – a energia que vem das águas”, lembrou a construção da hidrelétrica de Tucuruí nos anos 70 e que seria, como ainda o é, a maior hidrelétrica genuinamente  brasileira, uma vez que Itaipu é binacional.É claro que o tema foi bem desenvolvido e merece os nossos aplausos, até porque falou da grandiosidade da hidrelétrica, da sua importância e das transformações que causou na cidade de Tucuruí e na região do seu entorno. Contudo, não lembraram a campanha que se fez contra a sua construção, quando alguns diziam que ao serem fechadas as comportas, para a formação do seu belíssimo lago, as águas do rio Tocantins iriam baixar tanto, que o oceano avançaria sobre a baía do Guajará e o rio Guamá, salinizando as águas do lago Bolonha que abastece Belém, e, por óbvio, as praias do Mosqueiro só dariam banho de água salgada e não mais de água doce.Como seria bom se o Império de Samba “Quem são eles” tivesse, no desenrolar do seu tema, recordado esses fatos, que tanto angustiaram a população de Belém, principalmente os jovens da época, que, por contestarem o regime militar, se aproveitavam do fato para protestarem contra a construção da hidrelétrica de Tucuruí; fato que, aliás, o próprio tempo se encarregou de desmentir, uma vez que as comportas de Tucuruí foram fechadas, o lago foi formado, as águas do rio Tocantins baixaram conforme era previsto, voltaram à situação anterior e a população de Belém nunca bebeu água salobra e muito menos salgada, simplesmente porque a força do rio Amazonas jamais permitiria que o oceano invadisse a baía do Guajará.Quando lamento o Império de Samba “Quem são eles” não ter relembrado esses fatos, é porque isso, talvez, alertasse a nossa população sobre tudo o que se tem sido dito a respeito da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, em cuja construção, aliás, não se repetirá alguns erros cometidos em Tucuruí, como, por exemplo, a construção da “Vila Permanente” fora do centro urbano da cidade de Tucuruí, fazendo surgir, ali, a “Tucuruí de luxo” toda urbanizada, com ruas pavimentadas e residências bem construídas, água encanada, escolas bem organizadas e com professores qualificados, hospitais bem equipados, hotéis, clubes, etc. Enquanto a velha Tucuruí, sem nenhuma infraesturura urbana, vista como a “Tucuruí do lixo”. Esta situação não se repetirá em Belo Monte, um a vez que a chamada “Vila Permanente” será implantada dentro do centro urbano das cidades de Altamira e de Vitória do Xingu. Por outro lado, quando Tucuruí foi construída, talvez por se tratar da primeira grande hidrelétrica do Brasil, a única preocupação era com a geração de energia elétrica, e, por óbvio, com a segurança da obra em si, de forma que não houvesse nenhum risco em sua estrutura de fundação, até porque, na época, ainda era recente o desastre que ocorreu com a hidrelétrica de Hoover, nos EUA. Hoje é diferente. A nossa engenharia de barragens e de hidrelétricas é respeitada e reconhecida no mundo e por isso, certamente, Belo Monte nasce dentro de um novo contexto, buscando um menor impacto ambiental possível, daí o seu lago ser de apenas 516 Km² de área, e com uma preocupação com os impactos econômicos e sociais que, certamente, a obra causará à região, não só de Altamira e Vi tória do Xingu, mas no seu entorno. E isso é tão verdadeiro, que há 15 anos foram feitos os estudos e prognósticos de todos esses impactos nos 10 municípios do seu entorno e que passou a ser o “Plano de Inserção Regional de Belo Monte”, cujos investimentos estariam a cargo do empreendedor. E é isto que temos de discutir, porque agora não há mais dúvida sobre sua construção.

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