Por Tânia Menezes / Fotos: Adriano Magalhães (COMUS)
O matador de 12 crianças de uma escola municipal de Realengo no Rio de Janeiro, Wellington Menezes de Oliveira, o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes - que demonstrou discriminação contra paraenses, os fumantes e o próprio Judas Iscariotes traidor de Jesus, foram alvo da fúria popular durante a Malhação de Judas, na manhã deste sábado (23), realizada por quatro Associações de Malhadores do bairro da Cremação.
Em pouco mais de um minuto, dezenas de pessoas promoveram a completa destruição dos representantes dos quatro personagens – Wellington, Amazonino, fumantes e Judas Iscariotes, considerados desprezíveis traidores pelos moradores do bairro. Com chutes, socos e puxões para todos os lados, eles foram rapidamente despedaçados pela multidão, no meio da Rua Fernando Guilhon, por volta de onze horas da manhã.
“Os bonecos levam mais de três meses para ficarem prontos. É um trabalho de colagem e de montagem bastante demorado”, explica André Almeida, responsável pela confecção das peças a oito anos e que garante não se incomodar em ver tudo ser arrasado durante a malhação. “Ao contrário, a destruição deles é o ponto alto da programação e é legal ver as pessoas prestigiando o nosso trabalho”, afirma.
Cerca de mil pessoas assistiram a Malhação de Judas e pelo menos 20 mil participaram da programação do velório iniciada às 19 horas da Sexta-Feira Santa. A tradição teve ainda brincadeiras infantis como o quebra potes, shows musicais e venda de comidas típicas.
“Nós tivemos apoio da Prefeitura, através da Fundação Cultural do Município de Belém (Fumbel) e melhorou muito a programação, principalmente, na questão da segurança, já que é uma festa para as famílias, tem crianças”, comemora Paulo Ribeiro, presidente da mais antiga associação de malhadores da Cremação, sucessor do criador da manifestação em Belém, sargento Quincas.
A Malhação de Judas, que hoje reúne um público de mais de cinco mil pessoas somente na Cremação e outras cerca de cinco mil na Condor, Jurunas, Marco e Outeiro, começou tímida em 1950, por iniciativa do sargento da Aeronáutica conhecido no bairro como seu Quincas na própria Cremação, com a intenção de entreter moradores que não saíam da cidade durante o feriadão e promover um castigo ao traidor de Jesus. A disseminação das associações para outros bairros é resultado do sucesso da iniciativa do sargento Quincas, segundo os representantes das demais associações.
“Só tinha ele, mais ficava longe e como a comunidade participava, nós fomos criando associações em outros lugares, ganhamos o apoio da Fumbel e outros órgãos que nos ajudam”, conta o presidente da Associação de Malhadores de Judas da passagem Teixeira, Haroldo Cardoso.
Oitenta homens da Guarda Municipal de Belém em parceria com a Polícia Militar garantiram a segurança da programação. “Nosso policiamento é diferenciado, sem violência”, informou o encarregado da Guarda, Leal Silva. “Nosso grupo é treinado para o trabalho tático: imobilizar, algemar e levar para a delegacia, sem discussões, brigas ou agressões”, detalha Leal.
Além da Guarda Municipal, a Companhia de Transportes de Belém (CTBel) manteve a interdição e o desvio de vias na área da Malhação de Judas. A Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan) promoveu a imediata coleta de lixo e entulho resultantes da programação.



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