Peritos do Instituto de Criminalística, vinculado ao Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, representantes do Ministério Público do Estado e o delegado Rogério Morais, da Divisão de Investigações e Operações Especiais (DIOE), estiveram na tarde desta segunda-feira (14) no local do desabamento do edifício Real Class, na travessa Três de Maio, centro de Belém, para coletar amostras de concreto e de aço utilizados na obra.
Durante a operação foram retiradas seis peças de concreto e três de ferro. "A intenção é saber a resistência do material que foi usado na construção do prédio. Essa é a ultima e principal etapa da perícia que deve ser feita no local do desastre", explicou Sílvio Conceição, engenheiro civil com mestrado em vibrações e coordenador do setor de Engenharia Legal do CPC.
O resultado das peças retiradas nesta segunda-feira vai embasar o laudo final que o instituto deve emitir na primeira quinzena de abril. "Se tudo der certo, esse é o prazo máximo que estamos estimando para a conclusão do laudo final", garantiu o engenheiro.
Todo o material colhido será levado para a empresa Paulo Barbosa Engenharia, uma construtora terceirizada que fará o teste de resistência, já que o Instituto de Criminalística ainda não dispõe dos equipamentos necessários para esse tipo de perícia. "Não temos o equipamento, porém temos o conhecimento e por isso estamos acompanhando e indicando quais peças devem ser retiradas", ressaltou Sílvio.
Ele explicou, ainda, que essa etapa da perícia só pôde ser realizada agora, 49 dias após o desabamento do prédio, porque era preciso retirar peças da fundação do edifício, que só puderam ser encontradas agora. Equipamentos como aparelhos de ultrassom, detector de metal e extratora foram utilizados na operação.
Relatório UFPA - Sobre o laudo divulgado na última sexta-feira pela Universidade Federal do Pará (UFPA), que apontou erros nos cálculos da estrutura do prédio como possível causa para o desabamento, os peritos do CPC reiteraram que o único laudo oficial que servirá como embasamento no inquérito policial será o do Instituto de Criminalística. "Não contestamos nem concordamos com o relatório feito pela UFPA. Até porque só quem pode emitir laudo é a perícia. O que eles fizeram foi apenas um relatório", explicou Sílvio.
O delegado Rogério Moraes, que está acompanhando o caso, também tem a mesma opinião. "O único laudo que servirá para fundamentar a decisão da polícia é o do CPC Renato Chaves", concluiu.
Incansáveis - Desde o dia 29 de janeiro deste ano, data do desabamento do edifício Real Class, até hoje, a única equipe que continua no local do desastre é a dos peritos do Instituto de Criminalística. Seis deles trabalham dia e noite na área na coleta de material. Eles atuaram na retirada dos corpos, na avaliação das residências afetadas pelos escombros e agora cobrem a última etapa, que é a conclusão do laudo que apontará os motivos que levaram à queda do prédio. "Até agora tudo o que foi programado pela nossa equipe foi cumprido. Estamos vencendo as etapas e só vamos terminar quando entregarmos o laudo com toda segurança e certeza", afirmou Dorival Pinheiro, perito do CPC há 20 anos.
Ele, que também trabalhou no desabamento do edifício Raimundo Farias, em 1987, disse que ficou surpreendido com a dedicação e a superação da equipe do Centro de Perícias. "Todos foram incansáveis e se esforçaram muito para dar o melhor de si. Tenho certeza que chegaremos logo a um resultado concreto e daremos para a sociedade a resposta que todos estão esperando", finalizou.
Bruna Campos/Secom
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