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quarta-feira, março 16, 2011

Inflação da RMB recua 0,12% em fevereiro

O Índice de Preço ao Consumidor (IPC) da Região Metropolitana de Belém (RMB) registrou no mês de fevereiro deste ano a taxa de 0,12%, um percentual que apresentou forte redução em relação ao mês de janeiro, quando a taxa de inflação foi de 1,81%. Este recuo foi pressionado pela queda de 1,42% nos preços médios no setor Alimentação e Bebidas, o grupo de maior influência dentro da estrutura do IPC, considerando que os gastos com alimentação representam, em média, 34% do orçamento da família paraense.
A queda é explicada, em grande parte, pela redução de 2,93% no preço da carne bovina, que por sua vez representa 4,8% do orçamento familiar. Os produtos substitutos da carne também tiveram queda, considerando redução de 14,22% no preço de peixes e crustáceos. Além disso, cereais, leguminosas e oleaginosas também tiveram queda, de 8,17%. A pesquisadora do Idesp, Maria Augusta Pereira, que coordena o trabalho de cálculo do IPC, explica que os números refletem uma mudança de comportamento do consumidor diante das altas de preços registradas em janeiro, quando o grupo Alimentação e Bebidas teve alta de 2,52%, e aumento médio de 3,44% nos preços das carnes, pressionados pela alta exportação. "O consumidor teve dificuldade de comprar carnes, derivados e seus substitutos e, por outro lado, o mercado ofereceu promoções", afirma Maria Augusta.
Ainda assim, alguns itens da alimentação do paraense sofreram aumento, como açúcar e derivados (2,23%), o óleo de soja (4,7%), além do açaí (5,54%) e alimentos prontos (10,17%). "Esses aumentos, porém, não têm um peso grande no orçamento e não são itens de primeira necessidade, como a carne", completa a pesquisadora.
Os gastos com habitação foram inflacionados, com taxa de 1,96%. Isso se deve às reformas que muitos belenenses fizeram em seus imóveis, o que corresponde a 6,14%. "A razão dessa aceleração se deve ao longo período de chuvas ocorridas em Belém, o que levou ao aumento dos preços médios de itens referentes a reparos, inclusive acima do mercado", afirma Maria Augusta. Outro subgrupo que também teve forte influência foi Artigos de Limpeza e Descartáveis (2,14%).
O transporte apresentou taxa de 1,30%, aumento gerado pelos preços das passagens intermunicipais e interestaduais, que foram majoradas em média de 4,62%. Já o combustivel para veículo aumentou em 0,34%.
No grupo vestuário, a taxa de 1,66% foi pressionada pelo pelo preço dos tecidos (37,66%), resultado das crises ocorridas no mercado externo e interno. "O algodão, a matéria-prima utilizada na fabricação de tecidos, vem pressionando a indústria têxtil neste grande desafio, que é a concorrência de importados, a valorização do real e a perda de participação no mercado externo", analisa a técnica.
O cálculo do IPC mostrou, ainda, que os gastos com educação, leitura e papelaria teve queda de 2,98%, considerando que foi no início do ano que os consumidores precisaram investir em despesas extras com matrículas e materiais escolares. Em janeiro, a taxa foi positiva, de 5,84%
Cálculo do IPC: Mais de uma década depois, o índice volta a ser calculado pelo Idesp, em convênio com a Secretaria de Planejamento, Orçamento e Finanças (Sepof). O instituto foi o primeiro da Região Norte e o quinto do país, em 1968, a realizar o cálculo deste indicador que traz taxas mensais e anuais, que expressam a perda ou ganho de compra das famílias paraenses, em função da movimentação dos preços no mercado.
O IPC é um indicador que expressa mensalmente a perda do poder de compra das famílias em função do movimento dos preços. O índice permite mensurar preços, as variações de preços médios no varejo dos bens/serviços, assim como fornecer informações que assegurem ao Governo do Estado realizar um planejamento de ações considerando a conjuntura do mercado belenense.
São calculados índices para duas faixas de renda: de um a oito salários mínimos e de um a 40 salários mínimos. Para abranger toda a realidade de consumo das famílias belenenses, o IPC considera os grupos: Alimentação e Bebidas, Vestuário, Habitação, Móveis e Equipamentos Domésticos, Saúde e Cuidados Pessoais, Transporte, Comunicação, despesas e Serviços Pessoais e, por fim, Educação, Leitura e Papelaria.

Yvana Crizanto - Ascom Idesp

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