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terça-feira, março 15, 2011

EXISTE ATLETAS DO PROJETO JUDÔ DO RANCHO: Alunos da Escola Municipal de Judô podem garantir bicampeonato no Brasileiro

Por Liandro Brito / Fotos: Paulo Akira e CORREIO JURUNENSE
Alunos da Escola de Judô da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel), voltam a participar do Campeonato Brasileiro Região I, que acontecerá nos dias 16 e 17 de abril, no Estado Maranhão. O evento reúne representantes do Maranhão, Amapá, Pará, Ceará e Piauí. O Pará é o atual campeão geral do Região I.
 Segundo o presidente da Federação Paraense de Judô, Eduardo Pinho, a atuação dos alunos da Escola Municipal de Judô foi decisiva para conquista do campeonato em 2010. "Os alunos da Sejel conquistaram 5 das seis medalhas de ouro na categoria sub 13 feminino e uma de prata, o que garantiu a colocação do Pará em primeiro lugar no campeonato. Então, estamos muito confiantes na excelente atuação desses judocas no campeonato deste ano”, disse Pinho.  
 A delegação paraense buscará o bicampeonato com 100 atletas de associações de todo o Estado. Ao todo, 10 judocas da Sejel foram selecionados no torneio Professor Agostinho Maciel, realizado no último dia 19 de fevereiro. Eles estão divididos em quatro categorias, sendo: Sub-13; Sub-15; Sub-17; e Sub-20. No Brasileiro Região I será selecionada a equipe que representará o Pará no Campeonato Brasileiro da categoria Sub-13, previsto para acontecer em Belém no mês de agosto.
 Esporte que forma cidadãos:  Para o professor sansei Gilberto Cruz, o judô não é apenas um esporte. Mesmo com várias competições e títulos ganhos, para estas crianças, o judô também é um trabalho de inclusão social. “Não formamos campeões, formamos cidadãos. Ser campeão é uma conseqüência”, enfatiza. Ele conta que o judô é uma arte marcial que trabalha com a filosofia disciplinar e também o lado espiritual. “Isso faz o aluno encarar a vida. Ele leva para o dia a dia os ensinamentos filosóficos do judô”, diz.
 Com cerca de quatro anos, o projeto Escola de Esporte da Sejel já treinou mais de 1.500 crianças. A inclusão social através do esporte é um dos principais objetivos do projeto. “Queremos tirar a garotada do perigo das ruas. A maioria das crianças mora em zonas periféricas. Áreas com pouca segurança”, conta o professor. O incentivo não fica apenas no esporte. Para participar das aulas de judô, as crianças precisam estar matriculados na escola. Gilberto conta que através do esporte, alguns alunos conseguem bolsas de estudos em escolas de idiomas.
 Para o presidente da Federação de Judô, Eduardo Pinho, o trabalho com as crianças é uma prevenção. “É um trabalho excelente”, afirma sobre a escola pública de judô da Sejel. “O melhor é investir no esporte, que é prevenção tirando essas crianças da rua. É muito mais barato do que gastar dinheiro com outras coisas, como saúde e segurança. Acho que o projeto deve ser mais ousado. Muitas crianças precisam desse apoio”, diz. Entre vários ensinamentos que o judô traz, Eduardo cita a hierarquia. “É um esporte que traz disciplina e saúde. Das artes marciais, é uma modalidade respeitada. O respeito pelo próximo. As crianças passam a respeitar os pais, professores, os mais velhos”, explica.
 O trabalho desenvolvido pelo município, segundo o secretário da Sejel, João Amaral, forma cidadãos com caráter. “Formamos o caráter destas crianças. O judô na vida delas pode ser visto como uma grande oportunidade, já que na maioria elas são de famílias em vulnerabilidade social”, completa. Ele garante que a escola pública de judô continuará contribuindo para o desenvolvimento destas crianças. “Hoje são mais de 150 meninos e meninas, uma fatia da sociedade que poderia estar por caminhos errados. Trabalhamos o esporte como um instrumento de formação destas crianças”, ressalta.
 Trajetórias de sucesso:  “A maioria dos alunos é menino, mas as meninas são campeãs. Elas são muito disciplinadas. Todos são, mas elas são bem mais”, diz sorrindo o professor sobre suas alunas. Um grande exemplo de dedicação é a judoca Camila Ketlen Batista de Souza, de 12 anos. Ela conheceu a arte marcial com apenas nove anos na escola em que estudava, quando teve que decidir um esporte para praticar a disciplina de Educação Física. “Em 2008 ganhei meu primeiro campeonato. Foi na categoria Sub-13 em no Piauí”, relembra como se fosse uma atleta com muita história para contar.
 Mas o que aparenta, é verdade. Camila já ganhou outros 4 títulos. Em Vitória, no Espírito Santo, ficou em terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de Judô, na categoria Sub-13, realizado no ano passado. Sua competência fez com que ganhasse a vaga de atleta reserva do Campeonato Sulamericano e Panamericano de Judô, realizado em 2009, no Uruguai. A atleta que Camila estava como reserva era Jessica Layse Pontes, que ficou em 5º lugar na competição. Jessica também é aluna da Escola de Judô da Sejel. “O judô me ensinou muita coisa. Fiquei mais obediente nos estudos e também com meus pais. Eles me incentivam bastante”, afirma. Ela garante que pretende seguir a carreira de judoca.
 O irmão de Camila, o pequeno Ivan Kelvin, de 13 anos, relembra seus títulos na mesma simplicidade da irmã: “Foram muitos”, diz sorrindo. Eles possuem cinco irmãos, mas apenas a dupla se dedicou ao judô. A família mora no bairro do Jurunas e em 2005 foi vítima de um incêndio perdendo a casa. “Mesmo assim eles não pararam e continuaram a competir”, diz o professor Gilberto sobre a dedicação dos irmãos. Uma trajetória ambígua, já que a palavra judô significa “caminho suave”. 
 Ivan foi campeão brasileiro da Região II, realizado no Estado do Maranhão, onde se classificou para o campeonato nacional em Belo Horizonte, que aconteceu ano passado, ficando em 5º lugar. Nos Jogos Escolares, realizado em Fortaleza, capital do Ceará, repetiu o 5º lugar. Entre várias competições, Ivan afirma que o judô não lhe trouxe apenas medalhas. “Hoje tenho mais educação. Agora estudo mais. Esse é meu futuro. Antes eu vivia na rua, perdendo meu tempo”, conta.
Quando competem, os treinos são diariamente a noite. “Pela manhã estudam na escola e a tarde estudam em casa. A noite é se dedicando ao judô”, descreve o professor Gilberto a receita do sucesso dos irmãos. Para participar da escola pública de judô é fácil. Basta ir até a Sejel e se matricular. Vale lembrar que a criança ou adolescente deve estar matriculado em alguma escola e levar documentos que comprove. As aulas acontecem na quadra do Rancho Não Posso Me Amofiná, no bairro Jurunas. Essa modalidade é um dos 14 projetos implantados pelo ex-presidente do Rancho, Jango Vidal.

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