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sexta-feira, dezembro 23, 2011

Belém terá duas Organizaçõ​es de Procura de Órgãos em 2012

“Sinto como se fosse um pedaço meu que fica em cima da terra, mesmo após a partida do meu filho”. É assim que o pescador aposentado Juarez Rodrigues Lopes, 70 anos, descreve o sentimento após a doação das córneas do seu filho, Rosivaldo dos Santos Lopes, 37 anos, que faleceu no último dia 12 de dezembro no Hospital de Pronto Socorro Municipal Mário Pinotti (HPSM da 14 de Março), vítima de atropelamento.
 Segundo Juarez, a doação foi uma forma de manter viva a recordação do filho. “Só sinto não conhecer as pessoas para quem foram doadas as córneas do meu filho, seria um grande prazer pra mim vê-las”, afirma. Após o falecimento do filho, Juarez e seus familiares foram procurados pela equipe da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) do HPSM da 14 de Março, para verificar a possibilidade de doação das córneas. A família aprovou a idéia, e transformou um momento de dor em um gesto de solidariedade.
 A doação de córnea é o tipo mais comum de doação no HPSM da 14 Março. Por mês são realizadas em média cerca de 12 doações desse tipo no hospital. Apesar de ser um procedimento simples, realizado no necrotério do hospital pela equipe do Banco de Olhos do Estado do Pará, a equipe do CIHDOTT enfrenta uma verdadeira corrida contra o tempo em cada captação de órgão, pois o tempo limite entre o falecimento do paciente e a retirada do órgão não pode exceder seis horas.
 Segundo a enfermeira Mônica Solimões Biram, a equipe do CIHDOTT enfrenta algumas dificuldades cruciais no momento da doação. A principal é em relação a pacientes vindos do interior do Estado, pois a doação precisa ser autorizada pela família do paciente e muitas vezes há dificuldade de falar com os parentes.
 Outro caso é a questão religiosa da família, que prefere conservar o corpo em perfeito estado para enterrá-lo. “Sem contar que temos que entrar em ação em um momento muito difícil, de perda do ente querido, a conversa é um pouco complicada, pois temos que dar à família um tempo para assimilar a situação, principalmente em casos de mortes violentas, e o órgão não pode esperar muito tempo para ser retirado”, explica Mônica.
 Além da captação de córneas, há também outro tipo menos comum de captação, que é a de múltiplos órgãos. Esse tipo só acontece em casos de morte encefálica. Esses pacientes são identificados através da busca ativa da equipe do CIHDOTT, que diariamente se dirigem a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e Sala de Choque do Hospital em busca de potenciais doadores. A equipe faz a avaliação dos pacientes através do prontuário e da conversa com o médico intensivista. Em caso de possível morte encefálica é solicitada a avaliação do neurologista, que realiza testes clínicos necessários para a constatação do diagnóstico.
 Após a comunicação da constatação aos familiares, a equipe do CIHDOTT entra em ação. “Nesses casos enfrentamos uma resistência maior dos familiares, pois é mais fácil para a família aceitar a morte do que a morte encefálica. Como o coração do paciente ainda bate é como se a pessoa estivesse viva, isso gera uma esperança para a família”, afirma Mônica. Segundo ela, a equipe mostra a família como é um cérebro sadio e um cérebro em morte encefálica e, se a família concordar com a doação, a morte encefálica pode ser constatada pelos familiares através de um exame complementar, o eletroencefalograma, realizado no Hospital Ofir Loyola, onde é feita a captação dos órgãos.
 Se a família concordar com a doação, a equipe de transplante do Hospital Ofir Loyola avalia quais órgãos podem ser retirados e a família autoriza quais órgãos serão doados. Segundo Mônica, a preferência é sempre dada aos pacientes de Belém que aguardam na fila do transplante. A Central de Transplantes realiza o ranking, através do Sistema Nacional de Transplantes, selecionando os pacientes mais compatíveis com o potencial doador e realizando a avaliação clínica deles, selecionando assim dez pacientes em ordem de compatibilidade.
 Implantação das Opus
 Ainda no primeiro semestre de 2012, serão implantadas através do Ministério da Saúde em Belém duas Organizações de Procura de Órgãos (Opus), uma sediada no Hospital Metropolitano e outra no HPSM da 14 de Março, que serão responsáveis pela captação dos órgãos nos hospitais da capital. Inicialmente o Pará seria agraciado somente com a implantação de três bases de Opus em todo o estado, sendo uma no Hospital Metropolitano, outra em Santarém e outra em Redenção, mas a comissão do Ministério da Saúde visitou o Hospital Municipal e percebeu que a realidade era muito boa em termos de doação de órgãos, e decidiu implantar também uma base no município.
 No dia 03 de janeiro de 2012, uma comissão montada por um médico e uma enfermeira do Ministério da Saúde estará em Belém para iniciar a implantação da base. Cada Opus funcionará 24h por dia e será responsável pela busca ativa em 30 hospitais, mapeando assim toda a rede. A intenção é que a Opus comece a funcionar a partir de março.
  
Texto: Renata Reis (Ascom / Sesma)
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