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quarta-feira, dezembro 28, 2011

Primeiro curso internacional da Emater terá participantes de 17 países

Vinte estrangeiros, de 17 países, de três continentes diferentes (América, Ásia e África) serão os alunos do primeiro curso internacional promovido pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), a Capacitação em Metodologias de Assistência Técnica e Extensão Rural (Training em Methodologies for Technical Assistance and Rural Extension), que acontecerá em janeiro do ano que vem, em Bragança, no nordeste do estado.
A iniciativa tem parceria da Associação Brasileira das Entidades de Assistência Técnica e Extensão Rural (Asbraer), da Agência Brasileira de Cooperação, que é vinculada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), e da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU).
Os participantes foram selecionados por meio de inscrição voluntária e análise de currículos. Todos são agentes públicos (mas não necessariamente de órgãos de assistência técnica), graduados em ciências agrárias ou em áreas afins à extensão rural e têm fluência em inglês. Alguns vêm de regiões especialmente afastadas do Brasil, como Burkina Faso, na África, e a República do Quirguiz, na Ásia Central. O regime monárquico também se fará representado pelo Marrocos. Dos 17 participantes, quatro são mulheres.
A maior parte dos países, também, tem caracterização linguística, cultural, religiosa e geográfica muito diferente da situação brasileira: entre os envolvidos, há sociedades islâmicas, em guerra civil, sob risco de catástrofes naturais, com guerrilhas armadas ocupando as zonas rurais, com brigas tribais ou sofrendo violenta disputa de terras. Um outro fator curioso é que a capacitação reunirá Estados ou milícias nativas em conflito entre si, como República Democrática do Congo (antigo Zaire) e Burundi, ou Paquistão e Uzbequistão. “Os critérios para a escolha dos participantes foram plurais - considerando, por exemplo, experiência de campo, titulação acadêmica e diversidade cultural”, explica o chefe do Núcleo de Tecnologia e Apoio da Emater, engenheiro florestal Márcio Nagaishi, que faz parte da coordenação do curso.
O curso será realizado de 16 a 27 de janeiro, na Unidade Didático-Agroecológico do Nordeste Paraense (UDB), da Emater. As 80 horas de aula  - teóricas e práticas - serão ministradas em português por especialistas da Emater, com tradução simultânea oral e técnica para o inglês. O foco da capacitação são as metodologias participativas: métodos, técnicas e ferramentas. O principal material didático será a terceira edição do livro Metodologias de Ater e Pesquisa com Enfoque Participativo, de autoria de uma equipe multidisciplinar de cientistas da Emater. A publicação, trilíngue (português, inglês e espanhol), tem o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
“A rigor, as metodologias, como ciência, são universais, mas o enfoque participativo é um movimento mais recente, sobretudo nos países em que a agricultura é um segmento em desenvolvimento”, explica a pedagoga da Emater Ivanete Alves, que ministrará aulas. Algumas dessas metodologias, aponta Alves, como a Caminhada Transversal (em que se percorre a propriedade) e a Rotina Diária (pela qual se identifica a divisão de tarefas dentro das famílias, como o trabalho de mulheres e jovens) podem se apresentar como inéditas à trajetória de países com conflitos agrários sérios, impregnados de fanatismo religioso ou historicamente machistas.
Além disso, particularidades como restrição alimentar por conta de religião também serão levadas em conta na ocasião da hospedagem na UDB. “A alimentação fornecida dará opção a todos. Porém, uma das determinações de que a Emater não abriu mão foi o alojamento em quartos duplos, porque é parte da filosofia do curso promover a interação pessoal”, explica a engenheira florestal da Coordenadoria Técnica (Cotec) da Emater Daniela Souza.
Para a coordenadora do curso, a pedagoga da Emater Ana Lúcia Guerreira, chefe do Núcleo de Metodologias e Comunicação (NMC), a proposta do curso é contemplar todas as perspectivas e contextos de desenvolvimento rural, “respeitando os credos e hábitos, mas sensibilizando para a igualdade dos gêneros, a interação social, a agroecologia e a sustentabilidade”, resume.

Texto:
Aline Miranda-Emater
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