A Coordenação de Referência Técnica de Morbimortalidade por Acidentes e Violências da Secretaria Municipal de Saúde participa, até a próxima sexta-feira, em Brasília, do inquérito VIVA (Vigilância de Violência e Acidente). O evento reúne profissionais de saúde de todo o país para captação e orientação sobre obtenção de informações sobre violência doméstica, sexual e psicológica por meio dos serviços de saúde.
O inquérito VIVA acontece a cada dois anos em diversas cidades do o Brasil para ajudar na identificação e denúncia de casos de violência percebidos por profissionais de saúde no atendimento a usuários de toda a rede pública de assistência à saúde, principalmente crianças e adolescentes.
Após as capacitações a chamada “rede sentinela”, composta por funcionários que identificam, investigam e notificam, quando confirmados, os casos de doenças, agravos e/ou acidentes relacionados ao trabalho, será instalada nos Hospitais de Pronto Socorro Mário Pinotti e Humberto Maradei. Este ano, o inquérito VIVA vai observar os locais do Brasil de mais registros de violência e que necessitam de assistência e políticas no combate a violência.
As violências doméstica e sexual foram regulamentadas como notificação compulsória desde 25 de janeiro de 2011 pela portaria de número 104 do Ministério da Saúde. As principais ocorrências de denúncia obrigatória são agressão sexual, moral, física e psicológica.
De acordo com os dados coletados no Brasil pelo inquérito VIVA em 2009 foram registrados 1145 casos de violência contra a mulher, na faixa etária entre 30 e 39 anos. O abuso de álcool está envolvido em 30% dos casos de violência contra a mulher. Os números revelam ainda que 62% das agressões contra a mulher acontecem dentro de casa e 39% das mulheres agredidas dizem que já foram vitimas de violência mais de uma vez.
Em Belém, foram notificados 96 casos de violência contra homens e 424 contra mulheres em 2010. As ocorrências aconteceram em três locais de Belém: Casa da Mulher, Santa Casa e Unidade Municipal de Saúde da Sacramenta. "Entre elas, os maiores números de notificação aconteceram na Santa Casa, sendo que em 2009 foram registrados 652 casos de violência e em 2010 essa quantidade aumentou para 1.005 casos. Já na separação por gênero, em 2009 foram notificados 54 casos de violência contra homens e 336 contra mulheres. Em 2010, os números aumentaram contra os homens: 96. Em mulheres também houve aumento: 424", informa a Coordenadora da Referência Técnica de Morbimortalidade por Acidentes e Violências, Maisa Gomes.
A capacitação em Brasília tem como público alvo coletadores, supervidores, digitadores e coordenadores que atuam no Sistema Único de Saúde (SUS). O curso tem o objetivo de ensinar os profissionais a reconhecer situações de suspeita de possível violência contra mulheres, crianças, idosos e homens, além de capacitar os profissionais da saúde com as novas exigências que o VIVA sugere para este.
Texto: Denise Silva – Ascom/Sesma
Edição: Comus
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