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quarta-feira, novembro 30, 2011

Profissionais da educação discutem racismo institucional

No mês em que se celebra a Consciência Negra e no Ano Internacional dos Afrodescendentes, proclamado pela Organização das Nações Unidas (ONU), a Coordenação para a Promoção da Igualdade Racial (Copir) da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) promoveu o I Seminário de Racismo Institucional: ações afirmativas e direitos humanos na perspectiva da educação.
Dezenas de professores e técnicos em educação participaram da palestra ministrada pelo Prof. Dr. Ivair Augusto Alves dos Santos, da Universidade de Brasília (UNB), que em uma conversa descontraída, abordou a temática sobre vários prismas. O racismo institucional, também chamado de sistêmico ou estrutural, resulta de mecanismos discriminatórios que se reproduzem na sociedade transcendendo a esfera da ação individual.
De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) o racismo institucional não se expressa por atos manifestos, explícitos ou declarados de discriminação, orientados por motivos raciais, mas, ao contrário, atua de forma difusa no funcionamento cotidiano de instituições e organizações, que operam de forma diferenciada na distribuição de serviços, benefícios e oportunidades aos diferentes grupos raciais.
Segundo o professor, o racismo é um problema histórico e que tem consequências devastadoras que refletem na vida de quem o sofre, por isso, deve ser “trabalhado” para ser evitado em qualquer ambiente social. “Citamos como exemplo a criança negra que é discriminada desde cedo na escola e se envergonha de ser como é e não tem forças para enfrentar a discriminação e lutar contra ela. Assim, acaba abandonando os estudos, interrompendo sua vida escolar. É triste, mas pesquisas apontam que crianças negras quase não chegam ao Ensino Médio e principalmente ao nível superior”, ressaltou.
Ele explica que para que este quadro seja modificado, é necessário investimento em capacitação para os professores, incluindo o fornecimento de material didático-pedagógico que esclareça a amplitude das consequências deste tipo de violência. “Temos que começar pelo professor porque é ele quem educa seus alunos. Se ele for trabalhado inicialmente, reproduzirá atitudes positivas”. Ivair cita, ainda, a importância de pessoas negras em âmbitos importantes da sociedade. “ É preciso que levem os professores negros, escritores negros, advogados negros, médicos negros e cientistas negros para dar palestras, seminários, oficinas, etc, para que sociedade possa ver que cor de pele não significa incapacidade”.
Segundo o coordenador da Copir, Amilton Sá Barretto, a coordenação ainda enfrenta problemas com relação ao racismo e por isso, a importância do tema ser amplamente discutido. “Já tivemos que resolver casos de mães que não queriam que seus filhos tivessem aulas com professores negros”, destacou. Para a professora Joana Machado, da Assessoria da Diversidade Etnico-Racial da Universidade Federal do Pará (Ufpa), o problema do racismo enfrentado até hoje se dá “em virtude, de no Brasil, o negro ser historicamente ruim, com sua história relacionada a escravidão”. “As pessoas não nascem racistas, aprendem a ser”.
De acordo com a professora, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelam que o estado do Pará possui 72,4% de pessoas declaradas pretas e pardas e que o Brasil é o segundo país em número de população negra, perdendo somente para a Nigéria. “Como ser um país tão racista com estas estatísticas?”.

Texto:
Danielly Gomes-Seduc
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