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quarta-feira, novembro 02, 2011

Compromisso dos professores mantém as aulas nas classes hospitalares





Uma escola com lousa, carteiras e até computadores, tudo muito parecido com uma sala de aula comum. O detalhe que faz a diferença é que essa escola funciona dentro de um hospital, ajudando crianças e jovens que fazem tratamento de longa duração a não perder os estudos durante o período de internação. As aulas são garantidas pelo programa Prosseguir, desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc), em parceria com a Secretaria de Saúde Pública (Sespa).
O conteúdo programático é sincronizado com a escola de origem do aluno/paciente, que tem estrutura garantida para não perder o ano letivo. As crianças e jovens atendidos pelo programa continuam recebendo aulas mesmo durante a greve dos professores da rede pública de ensino.
“Nós assumimos um compromisso moral quando entramos no programa, de que não vamos aderir às greves em respeito ao estado de saúde do nosso aluno. Respeitamos a posição dos nossos colegas e esperamos que eles respeitem a nossa posição. Trabalhamos com um público diferenciado, e nosso serviço é considerado essencial, e como tal não pode parar”, explicou a professora e coordenadora substituta do Prosseguir, Érika Morim.
A dona de casa Dulcélia Monteiro ficou surpresa ao saber da escola. Ela acompanha o filho Davison, 6 anos, que está internado no Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência com queimaduras provocadas por fogos de artifício. “Nunca imaginei encontrar uma escola no hospital. Meu filho continua estudando aqui. Eu estou admirada com a organização e a atenção dada às crianças. Isso está ajudando muito na recuperação do meu filho”, disse a moradora de São Caetano de Odivelas, município do nordeste paraense.
Outro aluno/paciente da área de queimados do Hospital Metropolitano é Ariedes Pereira, 9 anos. O menino foi transferido de Tucuruí (no sudeste do Estado) após cair em um buraco de serragem que pegava fogo. Impossibilitado de sair da cama, a professora vai até ele. “A gente tem que se adaptar para atender ao aluno. No começo ele não conseguia pegar no lápis, e por isso a gente começou com jogos, nos quais ele podia arrastar as peças. Agora, ele já pode escrever”, contou a professora Denise Ramos, sem esconder o entusiasmo com a recuperação de Ariedes.
A alegria do menino é visível quando está no horário de aula. “Ele fica animado. A professora é alegre e aqui, pelo menos, ele não interrompe os estudos enquanto se recupera”, frisou a mãe de Ariedes, Arlete Abreu.
Interiorização - O programa foi implantado em 2003 no Hospital Ophir Loyola, referência em tratamento de câncer no Pará, e hoje funciona na Santa Casa de Misericórdia do Pará, Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, Hospital de Clínicas Gaspar Vianna e Hospital Universitário João de Barros Barreto, todos na Região Metropolitana de Belém. E já em 2012 começará o processo de interiorização, com a instalação da escola no Hospital Regional Público do Araguaia, no município de Redenção, sul do Pará. De 2003 até hoje, o programa Prosseguir já beneficiou quase 10 mil pacientes.
Uma das políticas preconizadas no atual modelo de administração do governo do Estado é a humanização no atendimento de saúde, e o programa Prosseguir se inclui de forma positiva dentro dessa política, já que a criança é atendida, com atividades pedagógicas e lúdicas, no ambiente hospitalar. "Ela deixa de ficar focada apenas na doença, e sim no processo de cura", explicou Pedro Anaisse, diretor geral do Hospital Metropolitano. “O trabalho da escola, agregado às atividades dos nossos profissionais, potencializa muito o tempo de recuperação do paciente. É um projeto que tem importância do ponto de vista social, porque cria um referencial de qualidade no processo educacional”, acrescentou.
O trabalho é diferenciado. As aulas são ministradas em turmas mistas (diversas séries escolares) ou de forma individualizada, e são multidisciplinares, começando pelo lúdico até chegar ao conteúdo programático. Foi assim que o programa Catalendas, produzido e exibido pela TV Cultura do Pará, foi parar na escola Prosseguir e virou "case" do X Congresso Nacional de Educação, que será realizado em Curitiba (PR), de 7 a 10 de novembro deste ano.
As histórias das lendas e mitos da Amazônia contadas pela personagem "Dona Preguiça" para o macaco "Preguinho" se transformaram em um importante instrumento na educação dos alunos/pacientes, principalmente para os que vêm do interior do Estado. A realidade ribeirinha, bem diferente da vivenciada na capital, é retratada no programa e ajuda nos primeiros contatos com o paciente, segundo Denise Mota, coordenadora das Classes Hospitalares no Estado do Pará. “Nós ganhamos os programas e começamos a trabalhar com as crianças. Resolvemos inscrever a nossa experiência no Congresso. Para nossa surpresa, fomos presenteados com a edição do trabalho. É a primeira vez que um trabalho de classe hospitalar vai ser apresentado no Congresso”, informou Denise Mota.

Danielle Filgueiras - Secom

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