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sexta-feira, novembro 11, 2011

@ CULTURA EM FOCO

Estudantes de música
participam de oficina
de reparo de instrumentos
Uma das oficinas mais procuradas na programação do projeto Painéis Funarte de Bandas de Música, que acontece até domingo (13) no município de Ponta de Pedras, no Arquipélago do Marajó, é a de Reparo e Manutenção de Instrumentos de Sopro, ministrada pelo paulista Daniel Tamborim. A oficina mobiliza os participantes do projeto, oriundos de 30 municípios paraenses.
Técnico em instrumentos musicais de sopro, Daniel é o único profissional do ramo no Brasil e um dos poucos da América do Sul que possui essa formação, com especialização em clarinete e saxofone. Ele integra o seleto grupo de estagiários de ateliers das maiores fábricas de instrumentos musicais do planeta, e ministra cursos no projeto Painéis Funarte desde 2007, em várias cidades.
Nesse primeiro trabalho realizado no Pará, Daniel disse ter ficado “agradavelmente surpreso” com o nível de conhecimento da maioria dos alunos. Segundo o instrutor, os participantes absorvem com rapidez as informações e praticam diretamente com os instrumentos.
Além dos municípios do Marajó, os alunos moram em outras regiões do Estado, e têm em comum o amor pela música. O clarinetista Almir Meireles, um dos participantes da oficina, mora em Cachoeira do Arari e integra a Associação Musical João Viana. Delaian Gemaque e Ivaldo Pamplona são de Santa Cruz do Arari e participam do programa de educação musical da Fundação Amazônica de Música, onde aprimoram os conhecimentos em percussão e flauta. Eles escolheram a oficina de Reparo e Manutenção devido à dificuldade encontrada para consertar seus instrumentos quando há necessidade. Com as informações recebidas na oficina, eles não terão mais esse problema e ainda poderão ajudar outros músicos.
Segundo o instrutor, para lidar com o instrumento é preciso conhecê-lo muito bem, regra que se aplica também ao conserto. Numa região quente e úmida, os cuidados devem ser redobrados, já que a umidade mantém a madeira intacta, mas também propicia o aparecimento de fungos. “É necessário cuidar do instrumento, não deixar de praticar e saber guardar com o cuidado necessário para preservá-lo”, ressaltou Daniel Tamborim.
Ele começou a oficina ensinando como desmontar cada instrumento, identificar o problema e até o modo mais adequado de segurar as ferramentas, a fim de obter melhores resultados. Jordana da Veiga, flautista da Banda Sinfônica da Fundação Carlos Gomes, disse que aprendeu a valorizar ainda mais “a minha flauta transversal quando a desmontei”.
Valorização - Na primeira vez que o Projeto Painéis Funarte de Bandas chega ao Pará, o município de Ponta de Pedras não foi escolhido por acaso para sediar o evento. A escolha valoriza o trabalho desenvolvido pela Associação Musical Antonio Malato, que fomenta a formação musical na cidade. Fundada em 2 de maio de 1981, a Associação foi conveniada por muitos anos à Fundação Carlos Gomes, de quem recebeu apoio técnico e pedagógico para a escola de música que mantém, junto com os músicos associados que formam a banda.
Ponta de Pedras sedia o terceiro encontro do projeto em 2011 – os outros dois aconteceram nos Estados da Paraíba e Minas Gerais, em agosto e setembro, respectivamente. O evento reúne músicos atuantes em centenas de bandas espalhadas pelo país, a fim de atualizá-los e capacitá-los por meio de troca de informações e práticas instrumentais, ministradas por músicos experientes.
Com cerca de 27 mil habitantes, Ponta de Pedras se preparou para receber o projeto Painéis Funarte de Bandas. Nas ruas, flâmulas com frases de agradecimento à Funarte e ao governo do Estado/Fundação Carlos Gomes, colocadas nos postes, desde o píer de acesso à cidade, e ainda nas praças, mostram a importância que o evento tem para os moradores. Todos os caminhos levam à Escola Estadual de Educação Fundamental e Médio Dra. Ester Mouta, ao Centro Cultural Bertino Boulhosa e à sede da Amam (Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó), onde acontecem os eventos da programação.
 Maria Christina – Fundação Carlos Gomes
Praça da República recebe
projeto de literatura infantil
 A pequena Ana Clara, de 8 anos,  mal piscava os olhos durante a apresentação da peça “Dona Baratinha”, na manhã desta quinta-feira (10), na Praça da República. Aluna da Escola Municipal República de Portugal, Ana Clara tomou gosto pela leitura desde o ano passado, quando iniciou os estudos na escola. Animada, ela conta que visita a biblioteca da escola toda semana e que passou a ler pelo menos dois livros por mês.
 Ana Clara serve de exemplo para mostrar o sucesso do Projeto “Lendo e Relendo as Bibliotecas Escolares” de incentivo à leitura. Uma iniciativa da Prefeitura de Belém, executada por meio do Sistema Municipal de Bibliotecas Escolares (Sismube) da Secretaria Municipal de Educação (Semec), que também tem o propósito de divulgar e tornar a comunidade escolar conhecedora dos serviços.
 Nestas quinta e sexta-feira (10 e 11), o projeto tornou a Praça da República um divertido teatro a céu aberto, com vinte estandes representando os oito distritos administrativos de Belém. O público pode ver de perto o resultado de diversos trabalhos feitos durante o ano pelos alunos dessas escolas. Todos como tradução do universo de conhecimentos adquiridos através da leitura. Desde que foi criado, em 2005, o Sismube já é responsável pela construção e ampliação das bibliotecas em 90% da rede municipal de ensino.

Um dos estandes que mais chama a atenção do público é o “Baú de Histórias” organizado pela Ecoescola Rita Nery. A diretora Cyane Pereira explica: “Durante o ano, trabalhamos sete livros diferentes. Depois, essas obras foram recontadas e transformadas  nos livros artesanais, produzidos usando recursos como canto, dramatização, fantoches e TV didática”.
 As crianças especiais também participam do projeto. Como a rede municipal trabalha com a perspectiva da inclusão, o Centro Gabriel Lima Mendes foi criado para o atendimento de cerca de 500 crianças que possuem algum tipo de deficiência intelectual e/ ou física. O envolvimento das crianças especiais nos trabalhos do “Lendo e Relendo” surpreendeu a especialista em Educação Inclusiva, Mônica Carvalho. “Ficamos impressionadas com a capacidade de aceitação e assimilação da proposta do evento, por parte dessas crianças” contou a professora.
 Antes mesmo do encerramento do evento na praça, a diretora do Sismube, Silvia Fernandes, comemorou o êxito do projeto como fator agregador da comunidade. “Tudo que é oferecido por nossas bibliotecas, como consultas, pesquisas e empréstimos domiciliares envolvem as famílias no processo formativo dos leitores e isso é fundamental”, concluiu.

Texto: Syanne Neno
Fotos: Ascom Semec
Vencedor do Prêmio IAP
de Artes Literárias 2011
tem obra publicada em e-book
A literatura produzida na Amazônia chega ao suporte virtual de modo pioneiro. O premiado romance “Velas na Tapera”, do escritor Carlos Correia Santos acaba de ganhar versão em e-book publicada pela Pubon Soluções Editoriais. Já lançada em Lisboa, no início deste ano, a obra agora pode ser adquirida por internautas na loja virtual Amazon.com. O e-book está disponível na Amazon francesa, alemã e do Reino Unido.
Emoldurado por referências sobre um dos mais polêmicos projetos industriais já realizados na História recente, “Velas da Tapera” foi autografado por Correia na capital lusitana no dia 6 de junho em um recital lítero-musical promovido pela FNAC Chiado, com apoio da Embaixada do Brasil em Portugal e produção de Fercy Nery e Rita Pestana, representantes na Europa do escritor brasileiro. O evento contou com mostra de música a cargo de Fercy Nery (na voz e violão) e Attila Argay (na bateria). A programação incluiu ainda um bate-papo com o autor. O livro também integrou uma ação de fomento à leitura promovida pela ONG lisboeta EpDAH e foi enviado a leitores do Timor Leste.
Resultado de seis anos de pesquisa, “Velas na Tapera” tem como pano de fundo a colossal história de Fordlândia, núcleo urbano erguido pela Cia Ford nos anos 20, em plena selva amazônica, para produção de látex destinado à fabricação de pneus que seriam utilizados pela poderosa empresa automobilística. O projeto acabou abandonado depois que a plantação de seringueiras foi atacada por uma praga. É pelo cenário da abandonada cidade americana, em meio ao ermo da mata, que transitam os personagens da narrativa. Em especial, Rita Flor.
O drama
Rita perde sua filha de seis anos. Após um misterioso incêndio em sua tapera, ela acredita que sua menina virou uma milagreira e decide construir uma capela em sua homenagem. A jovem não tem dinheiro para cumprir seu intento. O único caminho que lhe resta é prostituir-se. O sagrado e o profano deitam-se na mesma cama. Em meio ao vazio e ao desencanto que transformam Forlândia numa vila fantasmagórica, Rita vende seu corpo para santificar a filha.
“Velas na Tapera” venceu em 2008 o Prêmio Dalcídio Jurandir, promovido pela Fundação Tancredo Neves (FCPTN), um das mais importantes entidades culturais da região amazônica. A obra tem prefácio assinado pelo romancista José Louzeiro (autor de clássicos da literatura brasileira, como Pixote e Lúcio Flávio – O Passageiro da Agonia) e orelha assinada por Olga Savary (uma das mais importantes poetas brasileiras, considerada a introdutora do haicai nas letras nacionais).
“Sinto que é uma honra em todos os sentidos poder ver meu livro lançado em Portugal, encaminhado ao Timor Leste e agora transformado em e-book distribuído em lojas virtuais na França, Alemanha e Reino Unido. Primeiro porque consigo provar que, mesmo sem a cobertura de mercado de uma grande editora, é possível fazer circular a produção literária. O romance chegou aos leitores graças a um prêmio. Foi editado por uma fundação amazônica e está trilhando um caminho sólido”, ressalta Correia. E ele complementa: “Essa possibilidade de intercâmbio também é sempre fascinante. Para quem cria narrativas em língua portuguesa é uma experiência emocionante poder levar seus ditos não apenas ao país berço do idioma com o qual labuta como a diversos outros lugares do mundo”.
Em breve, o trabalho de Correia também chegará à África. Em 2009, o romancista e dramaturgo venceu o concurso Literatura para Todos, promovido pelo Ministério da Educação do Brasil, com a peça infantil “Não Conte com o Número Um no Reino de Numesmópolis”. O trabalho está sendo editado numa coleção com tiragem de 300 mil exemplares que será distribuída em escolas brasileiras e africanas.
O ano de 2011 tem sido produtivo para Correia. Além do recente prêmio do IAP, da edição em e-book de “Velas na Tapera” e de seu lançamento em Portugal, e ainda duas peças suas apresentadas com bastante êxito em São Paulo (“Perfídia Quase Perfeita” e “A Fábulas das Águas”, montadas pela Cia. Fé Cênica), Correia conquistou o segundo lugar geral da quarta edição do concorrido Seleção Brasil em Cena, edital de fomento à nova dramaturgia brasileira, promovido pelo Centro Cultural Banco do Brasil no Rio de Janeiro (CCBB). Carlos foi o único autor da região Norte escolhido para o projeto. O certame selecionou também um escritor do Nordeste. Os demais foram das regiões sul e sudeste. A obra com que Carlos Correia foi destacado é o monólogo “Um é Multidão”. Essa foi a segunda vez que o paraense participou da iniciativa. Em 2007, o escritor também foi selecionado para o concurso justamente com sua comédia “Perfídia Quase Perfeita”.
Jeferson Medeiros - Ascom IAP

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