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segunda-feira, novembro 14, 2011

Pesquisa em torno da doença de Chagas prossegue na ilha do Combu


A Coordenação Estadual de Controle da Doença de Chagas, da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), permanece até o dia 18 de novembro na ilha do Combu, Região das ilhas de Belém, para a realização da segunda fase da pesquisa de "Protocolo de definição das áreas de risco de transmissão de Tripanossoma Cruzi na região Amazônica".
O estudo envolve 150 profissionais, entre trabalhadores da saúde e pesquisadores, e compõe o Plano Estadual de Intensificação das Ações de Controle da Doença de Chagas no Pará. Segundo a coordenadora geral da pesquisa, Elenild Góes, a escolha da Ilha do Combu para a expedição de 2011 se deve ao fato de boa parte do açaí consumido em Belém ser proveniente desse lugar, localizado à margem esquerda do rio Guamá, em frente ao campus da Universidade Federal do Pará.
Agendada para acontecer bem antes de Belém apresentar o atual surto da Doença de Chagas, a pesquisa tem sido desenvolvida com as seguintes atividades: aplicação de questionários e inquérito em toda população da Ilhas do Combu e do Papagaio, abrangendo aproximadamente 1.500 pessoas; georreferenciamento das casas da comunidade; levantamento do substrato vegetal feito por técnicos do Museu Emílio Goeldi; capacitação de agentes comunitários de saúde e distribuição de hipoclorito.
O inquérito consiste na coleta de sangue para a realização de teste para Doença de Chagas, que é feito de forma semelhante ao teste do pezinho, feito em recém-nascidos. "Além disso fazemos uma entrevista sobre as condições de saúde do morador, se ele apresentou quadro de febre no último mês e se a pessoa já teve contato com o vetor da doença, o inseto barbeiro", explica Elenild.
A partir do domingo, 13, foram acrescidas outras ações, como palestras sobre boas práticas de manipulação de alimentos, incluindo o açaí, feitas por técnicos da Vigilância Sanitária da Sespa; inquérito de barbeiros e inquérito ambiental, por meio de pesquisa de reservatórios animais, sejam silvestres ou domésticos.
Durante as palestras foi apresentada uma técnica eficaz de higienização do fruto conhecida como branqueamento. Depois de apresentado o procedimento, os batedores participaram de um tipo de "teste cego", quando puderam degustar o produto e comprovar que a técnica não altera a forma e o sabor do fruto.
Além de profissionais paraenses, pesquisadores de outros Estados e do exterior compõem a equipe do protocolo. Uma delas, a diretora geral da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Tânia Araújo, acha fundamental que o Pará, por ser líder em número de casos da doença no Brasil, desenvolva esse tipo de trabalho para manter equipes preparadas e também capazes de identificar transmissores e situações onde eles ocorrem, como plantas, roedores e outros animais hospedeiros que transmitem a doença. Segundo Tânia, essa ação vai colaborar nas pesquisas que a Fiocruz desenvolve na busca de um modelo que pode servir para aplicação em surtos que estão ocorrendo em outros Estados, como o Tocantins.
E é de lá que vieram Twiggy Batista e Crislene Pinheiro, técnicas da Secretaria Estadual de Saúde daquele estado, destacadas para conhecerem o trabalho da Sespa, em função de Ananás, município da região norte do Tocantins, apresentar surto da Doença de Chagas por meio de contaminação pelo barbeiro no suco da Juçara, fruta típica local que se assemelha ao açaí. Sete casos foram diagnosticados pelo Hospital de Doenças Tropicais de Araguaína oriundos da cidade de Ananás, no Bico do Papagaio", explica Twiggy.
O professor do Centro Multidisciplinar para Investigação Biológica (Cemib) da Unicamp, Luiz Passos, autor da pesquisa que comprovou que o açaí mal lavado, mesmo congelado, pode transmitir a Doença de Chagas, diz que "higienizar corretamente os frutos ainda é o método mais importante de prevenção contra o barbeiro. Para isso, basta que os catadores, produtores e consumidores tenham mais cuidado e higiene", diz.
"Além disso, o protozoário causador da Doença de Chagas sobrevive na polpa do açaí mal higienizado, mesmo que o produto seja congelado a -20°C. Somente a correta pasteurização - tratamento térmico que envolve aquecimento e rápido resfriamento -, que ainda não é obrigatória no Brasil, consegue eliminar o microrganismo", acrescenta o pesquisador.
Segundo Elenild Góes, os cuidados com a manipulação do fruto desde a coleta, que é a fase mais suscetível da contaminação, vêm sendo aprimorados de acordo com a disseminação das informações compartilhadas com quem vende e distribui o produto. “Como o processo de pasteurização, que é o mais indicado, não é possível para o produtor artesanal, sugerimos o branqueamento, que consiste na peneiragem, lavagem e escaldamento, reduzindo em cerca de 90% a possibilidade de contágio, inclusive de clorofórmios fecais e salmonelas”, destaca.
Até o último sábado, 12, quando profissionais de imprensa foram convidados a acompanhar a expedição de perto, a equipe do Protocolo já havia realizado o cadastramento de 2.070 pessoas nas ilhas do Combu e do Papagaio, em 369 palafitas por georreferenciamento, correspondendo a mais de 70% da meta da pesquisa.
Mozart Lira - Ascom/Sespa
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